terça-feira, 28 de outubro de 2014

A Revolução dos Bichos (Animal Farm - 1954), de George Orwell. Assista dublado

Um pequeno grande livro. Para quem já leu e para quem ainda não leu (mas deve), segue uma versão em filme dublado.




terça-feira, 23 de setembro de 2014

O fenômeno do "Selfie" e o espelho de uma sociedade narcisista....

Recentemente li num portal de notícias que o renomado fotógrafo Sebastião Salgado estava na abertura de sua exposição "Genesis", no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília e,  contrariado, acabou indo embora mais cedo do que desejava. O motivo: a bendita (ou maldita?) mania do "selfie" que atormenta os não-contaminados. 
Ele explicou isso numa entrevista: "há seis meses, abri uma exposição e as pessoas vinham conversar comigo, pediam um autógrafo, trocavam ideias. Agora acabou. Cada pessoa te agarra e quer tirar 'selfie'. Bota um telefone ali, é uma agressão permanente em cima de você".

De fato, não há limite. Até o velório do ex-canditato à presidência pelo PSB, Eduardo Campos, não escapou. Uma senhora conseguiu seus 15 minutos de fama ao aparecer sorrindo, fazendo uma "selfie" com o defunto ao fundo. Acho que até Narciso - aquele da Mitologia - teria vergonha de tal ato.....



O vício do "selfie" tem invertido prioridades. Tem gente que deixa de aproveitar o momento que está vivendo, para gastar o tempo em registrar a si mesmo num evento ou situação específica. Concentra-se em poses, caras e bocas, posição de cabelos, melhor ângulo.... enquanto isso o momento mágico, aquele que não volta mais, passou..... Como aconteceu com a Carolina da canção do Chico Buarque de Hollanda, quando o tempo passou na janela e só ela não viu.




Isso sem falar na invasão de privacidade. O viciado em "selfie" já pensou em perguntar aos presentes se querem figurar no seu quadrinho? Logo teremos que andar com uma plaquinha pendurada no pescoço com a inscrição: "Por favor, não me inclua no seu 'selfie'".



Na minha opinião há uma espécie de ambiguidade no uso da palavra "selfie" para tal prática, visto que a maioria das pessoas utilizam este tipo de foto para compartilhar e não para seu deleite individual. A jornalista Marion Strecker definiu isso muito bem em sua coluna no site da Folha: "O conceito de 'self' (o si mesmo) é central na psicologia e existe desde o final do século 19.  A representação do "self" seria uma construção do ego, o eu, o núcleo de uma personalidade. Mas o que há de si mesmo nesses "selfies" todos? O que há de individualidade, de subjetividade, de essência desse eu que se autofotografa para consumo externo?
Realmente, há que se pensar.....


O fato é que o fenômeno do "selfie" é um prato cheio para os mais variados estudos.  Selfies em enterros, os atuais "pós-sexo", os íntimos.... todos eles podem trazer na bagagem pequenas mensagens subliminares do oceano onde navega a alma humana. Psicólogos argumentam que as pessoas mais inseguras são as que mais tendem a postar selfies  com temperos mais sexualizados e exibicionistas com o objetivo de receber o maior número de curtidas (?) e com isso, conseguir uma percepção - falsa, é claro - de que são amadas. 
E, ao contrário do que muita gente pensa, não são apenas os adolescentes que se jogam neste comportamento.


Onde isso vai parar? Não sei. Mas tenho ficado espantada com algumas coisas. Como o caso que aconteceu com um jovem na Grã-Bretanha: viciado em tirar selfies,  ele quase se matou por não conseguir tirar a selfie perfeita com seu iPhone. 

Danny Bowman levava uma vida normal até começar com a mania de tirar muitas selfies  com seu iPhone.

Danny começou a tirar fotos nesse estilo aos 15 anos, mas foi aos 17 anos, em dezembro de 2012, que  a overdose aconteceu. Ele tirou mais de 200 fotos e não conseguia encontrar nenhuma que o agradasse, foi então que passou a tomar descontroladamente alguns comprimidos para aliviar sua tensão. "Eu estava constantemente em busca de tirar a "selfie perfeita", e quando percebi que eu não conseguiria tirá-la eu quis morrer. Perdi meus amigos, minha educação, minha saúde e quase perdi minha vida", diz Danny.


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Tchau, Rubem

O escritor Rubem Alves, de 80 anos, morreu neste sábado,  19 de julho de 2014,  em  Campinas (SP). 
Seus textos dispensam descrição e graças à Internet (felizmente!) pode ser apreciado por quem gosta de uma boa escrita, recheada de talento e sensibilidade.
Certa vez ele escreveu sobre a morte, numa crônica chamada "Sobre a morte e o morrer". Vale a leitura. Abaixo, só uma amostrinha, para despertar o desejo de devorá-la..... 

... Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida” é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?
Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia...
Escritor e educador Rubem Alves morre em Campinas aos 80 anos (Foto: Instituto Rubem Alves )
(Foto: Instituto Rubem Alves)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Estudo comprova que pessoas desorganizadas tem mais criatividade. Putz! Tô salva.....

"Somente os estúpidos precisam de organização, os gênios controlam o caos."
Albert Einstein




Um estudo conduzido por Kathlee Vohs, Joseph Redden e Ryan Rakhine, da Universidade de Minnesota, demonstrou que a bagunça no local de trabalho não é uma coisa negativa, pelo contrário: ajuda a desenvolver a criatividade. Sob a hipótese de que os ambientes organizados fomentam convenções sociais conservadoras, e de que os espaços desordenados incentivam as pessoas a buscar caminhos não convencionais, os pesquisadores realizaram três experimentos. O ponto de partida foi a ideia de que “ordem e desordem são estados que ativam diferentes partes do cérebro, e podem beneficiar uma pessoa com resultados diferentes”.
O primeiro experimento dividiu aleatoriamente 34 estudantes holandeses em uma sala arrumada e outra bagunçada. Os espaços eram idênticos e contíguos, com a mesma iluminação. O experimento envolveu três fases distintas: na primeira, os estudantes tiveram que responder a um questionário durante dez minutos; em seguida, deveriam escolher entre uma maçã ou uma barra de chocolate; finalmente, os pesquisadores lhes perguntaram se queriam fazer uma doação em dinheiro a uma organização que entrega brinquedos e livros para crianças.
Os resultados do primeiro experimento mostraram que os participantes da sala arrumada se mostraram duas vezes mais dispostos que os da sala bagunçada a escolher a maçã e a doar mais dinheiro. A partir disso, os pesquisadores concluíram que os espaços ordenados inspiram disciplina, escolhas saudáveis e uma atitude ética. Ou seja, confirmaram a hipótese de que os espaços organizados estimulam comportamentos bem vistos pela sociedade.
No segundo experimento, 48 estudantes norte-americanos foram divididos em duas salas. Ambos os grupos deveriam pensar e listar ao menos dez novos usos para bolas de pingue-pongue. Depois de processar os resultados, os pesquisadores descobriram que os estudantes que estavam na sala bagunçada conseguiram imaginar usos mais criativos do que os propostos pelos participantes da sala arrumada.
Segundo os pesquisadores, ambientes organizados representam virtudes rígidas e condutas morais, enquanto espaços bagunçados incentivam as pessoas a romper com essas convenções, algo fundamental para a criatividade. Ou seja, estar em um espaço desorganizado teria um efeito estimulante sobre a criatividade. ”Ser criativo implica romper com a tradição, a ordem e as convenções, e um espaço desorganizado parece ajudar as pessoas a fazerem isso”, explicam.
Finalmente, o terceiro experimento analisou os efeitos da organização do espaço sobre a preferência entre o tradicional e o novo. Para isso, 188 adultos norte-americanos deveriam escolher novos itens para a sua dieta, entre produtos cujos rótulos diziam “clássico” e “novo”.
Os adultos que estavam na sala organizada tendiam a escolher os alimentos com o rótulo “clássico”, enquanto os da outra sala preferiam os produtos com o rótulo “novo”. Ou seja, o terceiro experimento demonstrou que os ambientes ordenados estimulam a preferência pelo tradicional, não pela novidade.
Todos os experimentos confirmaram a hipótese inicial, sugerindo que “os efeitos de ordem física são amplos e têm muitas nuances. Ambientes desorganizados parecem inspirar as pessoas a se livrar da tradição, produzindo novas ideias. Já os espaços organizados reforçam as convenções e a sensação de segurança”.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Quem é o Molotov



Pode ter nascido na Espanha, foi batizado por finlandeses e tem nome soviético: é o Coquetel Molotov!

A receita é simples:
* 1 garrafa de vidro
* 1 boa dose de um líquido inflamável (gasolina, querosene, álcool e até éter)
* 1 pedaço de pano para funcionar como pavio
* Fogo

E está pronta a bomba incendiária de fabricação caseira mais famosa do mundo. Apesar do nome russo, os primeiros registros do coquetel explosivo são da guerra civil espanhola, que historiadores afirmam ter sido um grande campo de testes para várias potências militares experimentarem novas armas. Alemães, russos e italianos usaram o conflito civil na Espanha como campo de testes, enviando tropas e equipamentos.

No caso, o Coquetel Molotov foi usado na cidade de Toledo, em 1936. De um lado, estavam os nacionalistas de Francisco Franco apoiados  pelos alemães, no outro lado, estavam os republicanos contando com a ajuda dos soviéticos que entraram com seus tanques de guerra. 
Para tentar conter o avanço dos tanques soviéticos é que os nacionalistas lançaram mão daquela bomba criada com uma garrafa, um pedaço de pano, rolha, gasolina e óleo de motor (para que o fogo ficasse ativo mais tempo). Apesar da rusticidade, o artefato fez efeito e realmente era capaz de causar sérios danos à blindagem dos tanques e forçar a saída dos soldados de dentro do equipamento. 

Já o nome de batismo surgiu uns anos depois - ironicamente, diga-se de passagem, criado pelos finlandeses quando a União Soviética invadiu a Finlândia durante a Guerra de Inverno (de 1939 a 1940). Os finlandeses também não tinham armas apropriadas para barrar os tanques russos e resolveram lançar mão da mesma bomba incendiária utilizada pelos nacionalistas espanhóis.  Na época, o diplomata soviético Vyacheslav Molotov declarou numa rádio que os soviéticos não estavam jogando bombas sobre os finlandeses, mas sim lhes fornecendo alimentos. Foi aí que, por ironia, os finlandeses passaram a chamar suas bombas artesanais de "Coquetéis Molotov".


Molotov, Vyacheslav Mikhaylovich
Vyacheslav Molotov - Credit: EB Inc.

Por sua praticidade e rusticidade, o Coquetel Molotov é usado com frequência em revoltas, guerrilhas e manifestações urbanas pelo mundo inteiro, tornando-se um símbolo de rebeldia e emprestando seu nome até para bandas de rock.

Aqui no Brasil, no auge das manifestações de junho deste ano, dois professores da rede municipal de ensino foram presos em Minas Gerais porque, de acordo com a polícia, eles teriam ensinado pelo Facebook como fazer o famoso coquetel molotov.

Criatividade

Falta de grana é o combustível que move a criatividade na hora de criar artefatos bélicos. Além do famoso Coquetel Molotov, não faltam exemplos disso. Como neste caso recente, quando um grupo rebelde na Líbia entrou em guerra civil contra o ditador local e acabou tomando o poder no país. Os soldados de oposição não tinham recursos para combater as tropas pró-governo com material bélico moderno e criaram isto:


(Fonte da imagem: Brian Denton / The New York Times)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Maneiras bestas de morrer... no Rio de Janeiro

Vocês se lembram de um post de novembro/2012 , a respeito do famoso vídeo da companhia de metrô australiana, 'Dumb Ways To Die' (maneiras bestas de morrer)?
Para ver de novo, clique aqui.

Pois agora temos uma versão bem brasileira: a paródia daquele vídeo chama-se "Maneiras Bestas de Morrer no Rio". Vele a pena dar uma olhada no vídeo abaixo.
Ah! E fica a expectativa pelo lançamento da versão paulista: "Maneiras Bestas de Morrer em Sampa". Como sugestão do primeiro item: "Morrer durante um arrastão enquanto janta num restaurante..."



sexta-feira, 19 de abril de 2013

Tabasco Pepper Sauce: a jogada que deu certo!



Esse famoso molho de pimenta da foto acima, além muito apreciado, tem uma história bem interessante. Dizem que ele surgiu em virtude de um "acidente de percurso" . Lá pelo ano de 1840, em New Orleans (EUA), um banqueiro de nome Edmund McIlheny, por causa da guerra, foi à falência e literalmente perdeu tudo que tinha. A saída que ele encontrou foi cuidar das plantações de cana que pertenciam à família de sua mulher, na ilha de Avery, no Estado da Louisiana. 

Conta-se que o lugar não poderia ser mais inóspito: era uma montanha de sal coberta por fina camada de terra. Como tem mesmo gente que parece o Rei Midas, Edmund montou uma horta como hobby, e nela plantou algumas sementes de pimenta que ganhara de um amigo. As sementes da espécie Capsicum frutenses geravam pimentas de uma variedade com tamanho grande, tanto que pareciam pimentões e, apesar do sabor forte, eram muito saborosas, mas também desconhecidas naquelas terras. 
As danadas se adaptaram tão bem na ilha, que acabaram dominando toda a horta. Aí, o ex-banqueiro com pinta de Rei Midas teve a ideia de preparar um molho usando apenas aquele tipo de  pimenta, adicionando vinagre de vinho branco francês envelhecido, sal recolhido da própria ilha e mais alguns condimentos. 

Algumas experiências depois, ele descobriu que se deixasse o molho fermentar por uns dias, ele ficava ainda mais saboroso. 
Enquanto isso, os negócios com a cana da família da esposa iam de mal a pior...
E, como experimentar não custa nada, lá por 1860 ele preparou umas 350 garrafas daquele molho e distribuiu em algumas lojas da região. Para batizar o molho, ele resolveu homenagear a cidade de onde vieram as sementes, que ficava no sul do México e colocou no rótulo: Tabasco.

Foi o toque de Midas! Não é que deu certo! A fórmula - sem alteração -  acabou se transformando  num segredo da família. 
McIlhenny registrou uma patente em 1870 e o molho TABASCO ® começou sua rota para conquistar o mundo da culinária. No final de 1870, o molho já era vendido em todo os EUA e até mesmo na Inglaterra.

Dizem que até hoje as sementes são colhidas manualmente, amassadas e temperadas com o sal da ilha de Avery. Mais de 140 anos depois, o molho TABASCO ® é feito da mesma maneira, só que agora o processo de envelhecimento para a mistura leva mais tempo - até três anos em barris de carvalho branco - e o vinagre é um destilado de alta qualidade. 

Não dá pra saber se é lenda ou fato, mas dizem que Edmund McIlheny aproveitou embalagens usadas de perfume para distribuir os primeiros molhos entre os amigos e a família, antes de realmente comercializá-los. Quando finalmente resolveu vender, teria encomendado embalagens de perfumes semelhantes às primeiras que utilizou.

A palavra "tabasco" originou-se entre os indígenas mexicanos e significa "terra onde o solo é quente e úmido" Atualmente, cerca de 100 milhões de vidros de Tabasco são consumidos. Rotulado em 22 línguas e dialetos, é vendido em mais de 165 países e territórios. 

Bem, o tal do Tabasco não é pra qualquer um... para consumir é preciso estar preparado. Assista ao vídeo que está mais abaixo na página e veja se não é verdade!

Edmund McIlheny

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quarta-feira, 3 de abril de 2013

O que os tomates têm a ver com Pablo Neruda?


Moradores de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná,  estão cruzando a fronteira com Argentina para "contrabandear" tomate. Lá é possível comprar o fruto precioso por R$ 3,00 o Kg, enquanto por aqui, não está saindo por menos de R$ 8,00. No entanto, as autoridades brasileiras estão ameaçando: quem cruzar a fronteira transportando tomate pode perder a compra. “Esse tomate também não pode entrar porque não está sendo feita uma exportação, não tem certificado sanitário nacional. Está sendo contrabandeado”, alertou o chefe do Ministério da Agricultura, Antônio Garcez.

Já o proprietário de uma famosa cantina italiana - Nello's - que fica na região de Pinheiros, em São Paulo, resolveu fazer um boicote ao tomate. Motivo: o preço abusivo. Segundo ele, a caixa do tomate subiu de R$ 50,00 para R$ 150,00. 
Verdade. E digo mais: concordo com ele. Eu estou boicotando o tomate "in natura" há semanas, está compensando mais comprar o tomate importado enlatado.

Bom, estas notícias me fizeram lembrar um poema do poeta Pablo Neruda. O tomate do poema, vocês verão, não é aquele enlatado, mas sim aquele fresco, suculento, firme e lindamente vermelho que encontramos nas bancas das feiras e dos supermercados (e que compramos - quando o preço permite - ou contrabandeamos da Argentina... quem diria!)

Aí vai o inspirado poema: 

Ode ao Tomate
(Pablo Neruda)


"A rua se enche de tomates.
Meio-dia, verão, 
a luz se parte em duas metades de tomate,
Corre pelas ruas o suco.
Em Dezembro, se solta
o tomate invade as cozinhas,
Entra pelos almoços e se senta repousado em travessas,
Entre os vidros 
e as manteigueiras e os saleiros azuis.
Tem luz própria, 
majestade benigna.
Devemos, infelizmente, assassiná-lo:
afundar a faca em sua polpa viva,
é uma vermelha víscera, 
um sol fresco, profundo, inesgotável.
Enche as saladas do Chile,
se casa alegremente com a clara cebola,
e para comemorá-lo, deita-se-lhe o azeite, 
filho essencial da oliveira,
sobre os hemisférios entreabertos, 
adiciona a pimenta a sua fragância, 
o sal o seu magnetismo: 
são os esponsais do dia, 
a salsa embandeira-se, 
as migas fervem ruidosamente, 
o assado bate à porta 
com o seu aroma, 
está na hora!

E sobre a mesa
na curva do verão,
o tomate, astro da terra
estrela repetida e fecunda,
nos mostra suas formas,
seus canais,
sua amplitude notável
e abundância desossada,
sem armadura,
sem escamas ou espinhos,
nos dá o presente
de sua cor de fogo
e a totalidade de seu frescor."

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Blogueira cubana ou Oscar 2013?

Pensei em falar sobre a polêmica da blogueira cubana Yoani Sánchez (aquela que criou, em 2007, o blog Generación Y para falar sobre as mazelas de Cuba e que, por conta disso, é perseguida em seu país). Polêmica porque a visita da jornalista ao Brasil foi marcada por manifestações antidemocráticas, lideradas por alguns defensores do regime ditatorial cubano. E pensar que muita gente se orgulha em dizer que no Brasil pós-regime militar temos uma democracia coroada pela liberdade de expressão .... blá blá blá....
Bom, mudei de idéia e sobre esse assunto resolvi apenas registrar a curta, porém, sensata opinião de Frederico Vasconcelos, jornalista da Folha de S. Paulo:

"As ditaduras são feitas de cadáveres e prisões. Não existe a figura do bom ditador. Sejam de direita ou de esquerda, ditaduras são igualmente infernais". 

Então, acabei por optar por outro assunto: o Oscar 2013. Mas não vou falar sobre filmes, atores ou diretores premiados. Assisti uma boa parte da entrega do Oscar e algo me chamou muito a atenção: barba está na moda e...  sim, pode deixar os homens muito charmosos, ao contrário do que a Gillette está querendo nos fazer acreditar com sua atual campanha publicitária...
Só faltava essa agora: Gillette querendo impor um novo padrão estético.....


Fonte da imagem: kibeloco.com.br

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

E aí, curtiu? ou A Síndrome da Falta do "Curti"

 "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão".
Renato Russo


Ah o Facebook! Que lugar maravilhoso de se viver... todo mundo é muito feliz. Não simplesmente feliz: eu disse MUITO feliz. É como navegar num mar de sorrisos e felicidade. Excepcionalmente, algumas notícias de luto. Mas as pequenas mazelas do dia-a-dia não, isso não! Eu tenho a sensação que o Facebook é como um jornal onde só as notícias boas ganham manchete.
Bom, mas se a pessoa cria um cenário onde tudo é belo, divino e maravilhoso, ela está buscando o quê? Aplausos, claro!  E quando eles não aparecem, vem aquela sensação: "puxa, eu fiz isso e ninguém curtiu"? Ou: aquela minha amiga não é tão amiga assim, afinal ela não "curtiu".

Recentemente ouvi uma bizarrice dessas, contada por amigo. A esposa foi lhe relatar que um vizinho e conhecido de longa data reclamou que ele estava muito frio e distante, lhe dando pouca atenção, pois mesmo depois de inúmeras postagens de suas atividades ele não lhe deu nenhum "curti". Isso soou tão surreal que ele acessou a página do fulano e foi dando "curti, curti, curti" em todas as postagens, contou. A situação foi muito hilária e rendeu boas risadas. 

Mas eu fiquei com isso na cabeça. Nossa, será que tem tanta gente assim com a auto-estima tão detonada que necessita desesperadamente da admiração pública ou são ataques compulsivos de narcisismo?! O que é essa busca desenfreada por um curtir? Um rompimento com a realidade, uma massagem diária no ego, uma compensação ou uma terapia? Luli Radfahrer, um grande estudioso de mídia eletrônica no Brasil, em reportagem da Revista TPM, disse que hoje em dia é muito fácil correr o risco de ficar carente do “curti”. Se uma pessoa depende dos aplausos dos outros, pode começar a fazer qualquer coisa para garantir isso.” Como consequência, Radfahrer vê as pessoas tratando a própria vida como uma mídia. “A vida não é cinza nem colorida. Mas, quando vira entretenimento, o indivíduo se sente obrigado a fazer uma programação florida todos os dias. É um Show de Truman voluntário”, diz.

Exceção feita ao uso do Facebook para divulgar empresas e produtos, para o que realmente serve o botão curtir? No caso do nosso amigo e seu vizinho, o "curtir" talvez fosse uma medida para saber se realmente o outro estava se importando com ele, se estava seguindo seu passos... mas nesse caso, bastava puxar o celular e dizer: "amigo, estou sentindo sua falta... faz tempo que a gente não se fala!".

Não, nem celular, nem e-mail nenhum iriam suprir a falta do "curti", porque este sim é público. O papo com choppinho gelado regando a conversa dos dois amigos jamais teria o mesmo impacto que um "curti" visto por várias pessoas. É como aquela velha piada do homem em uma ilha deserta que encontra a Sharon Stone (a piada é velha, né?), transa algumas vezes e depois perde o interesse. Aí tem uma grande idéia: pede para que ela se vista de homem para ele poder contar para alguém que transou com a atriz gostosona. 

Tanto barulho por nada!

O que significa o botão curtir? 
Para o especialista Luli Radfahrer, “ele não significa nada. É equivalente a uma palma protocolar, um tapinha nas costas, um sorriso. E é tão efêmero quanto. Se você dissesse pra mim: ‘Nesta semana recebi 180 sorrisos’, eu diria que você precisa de um psiquiatra urgente. Porque não se acumula esse tipo de coisa. É uma coisa bacana, espirituosa e bem colocada que você falou. As pessoas sorriram e pronto. Todo mundo move adiante. O problema é, na verdade, que o "curti" se acumula, paralisa no tempo. E daí o indivíduo valoriza isso. E começa a falar: ‘Contei uma piada e ninguém riu. Meu Deus! Então vou contar uma piada mais incorreta para achar alguém para rir’.

Tá bom. Mas nem todo mundo concorda com o especialista. E para pessoas como o vizinho do nosso amigo lá em cima, um grupo de pesquisadores do MIT (Massachusetts Institue of Technology) achou a solução: trata-se de uma jaqueta que abraça a pessoa toda vez que alguém curte seu status no Facebook. Sim, é verdade. Chama-se  Like-A-Hug (trocadilho que pode ser tanto “como um abraço” quanto “curta um abraço” ) e a imitação de abraço funciona por meio de um sistema conectado ao Facebook que infla a jaqueta, dando uma leve apertadinha na pessoa toda vez que alguém curte uma foto, vídeo ou frase. E dá pra retribuir o gesto de carinho: é só se dar um "auto-abraço" para desinflar o casaco. 
Ah! Mas pra receber a retribuição, a outra pessoa também deve estar vestindo a jaqueta.





sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A arte do Marketing Pessoal




Hoje pela manhã estive pensando a respeito de marketing pessoal e como algumas pessoas, sem a menor noção disso conseguem realizá-lo com maestria, enquanto outras se esgotam e esgotam seus relacionamentos sem conseguir ao menos chegar perto de um bom resultado.

A melhor explicação que ouvi até hoje (e a mais hilária) a respeito de marketing pessoal foi de Max Gehringer, num programa da Rádio CBN. Vejam se eu não tenho razão:

Max Gehringer, começa dizendo que um ouvinte escreveu para contar que está vivendo a síndrome do pato. E ele explica: o pato é uma ave que sabe andar, voar e nadar. Mas não é um modelo em nenhuma das três coisas. O andar do pato é desajeitado. O pato nada devagar e voa muito mal. O ouvinte sabe que não é um pato e tem certeza de que não nasceu para pato. Mas tem a impressão de que o chefe dele o vê como um pato. A pergunta é: "qual é o remédio para escapar da síndrome do pato?"

Bom, o remédio é a síndrome do pavão. O pavão anda mais devagar que o pato. E quem é que já viu um pavão nadando ou voando? Mas, quando alguém tem uma câmera fotográfica e vê um pato e um pavão, vai sempre fotografar o pavão. O pavão aparece mais, embora seja menos competente, porque sabe se pavonear. Ou seja, o pavão tem o que o pato não tem: marketing pessoal.

É claro que o pavão não tem qualquer ideia do que seja marketing pessoal. O pavão é uma obra da natureza e não de seus próprios talentos. Já o funcionário tem essa opção. Ele precisa aprender a se autopromover.

O termo autopromoção tanto pode significar querer aparecer de graça às custas dos outros, o que é reprovável, ou divulgar de maneira eficiente o próprio trabalho, o que é recomendável. O bom marketing, seja ele de um produto ou de um profissional, está assentado sobre três pilares:

Primeiro: é preciso que o maior número possível de pessoas saiba o que eu faço.

Segundo: é preciso que essas pessoas se convençam dos benefícios do que eu faço.

E terceiro: se essas pessoas estiverem convencidas, elas divulgarão o que eu faço de bom.

Todas as grandes marcas que conhecemos fizeram e fazem isso. A síndrome do pato é o trabalho sem imagem. A síndrome do pavão é a imagem sem trabalho. A soma do bom trabalho com a boa imagem é o marketing pessoal.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Tchau 2012 !


Demorei bastante tempo para decidir qual seria meu post de encerramento de 2012 – o ano em que o fim do mundo não aconteceu. Então, lembrei uma história que li quando ainda era criança, mas que jamais esqueci. Ela tem tudo a ver com este ano que acaba e com todos os outros que ainda virão...

Aí vai ela! E Feliz 2013 para todos nós!



Era uma vez um rei que vivia cercado de sábios. Certa manhã, enquanto conversavam, o rei mostrava-se mais calado que de costume.
“O que passa com Vossa Majestade?”, perguntou um dos sábios.
“Estou confuso”, respondeu o rei. “Às vezes, me deixo dominar pela tristeza, sinto-me impotente diante dos meus problemas. Outras vezes, fico embriagado com o meu poder e os momentos de felicidade. Gostaria de ter um talismã que me ajudasse a estar em paz comigo”.
Dito isso, o rei entregou seu anel real aos sábios e pediu a eles que criassem uma mensagem que fosse pequena o suficiente para ser inscrita na pedra de seu anel, mas tão grande em significado que pudesse ser usada tanto nos bons quanto nos maus momentos.

Os sábios – surpresos com tal pedido – ficaram longos meses discutindo qual seria esta mensagem, até que finalmente chegaram a uma conclusão e foram até o rei com a mensagem já gravada na pedra no anel.
“Gravamos palavras mágicas no talismã. Leia-as em voz alta, sempre que estiver muito confiante, ou triste demais – ou seja, nos bons ou nos maus momentos”, disseram.
O rei olhou para anel e leu a inscrição gravada na pedra: “Isso também vai passar”.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Maneiras bestas de morrer

 Não sei se existem maneiras boas de morrer, mas eu achei muito criativo este vídeo australiano: ‘Maneiras bestas de morrer’ é uma animação que foi criada como um alerta de segurança do metrô de Melbourne, na Austrália. Nesta animação, monstrinhos engraçadinhos morrem de várias formas aterradoras, para lembrar de alguns cuidados importantes que devemos ter. O vídeo foi visto mais de 17,5 milhões de vezes em uma semana! O sucesso gerou também Tumblr  e site. Olha só:


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Lições de vida... em poucas linhas

Recebi esta mensagem de uma amiga. Vi tanta coisa verdadeira nestas linhas, que me senti quase na obrigação de colocar aqui no blog. Afinal, fala tanto, com tão poucas palavras....
Em tempo: os destaques são meus.

Foi escrito por Regina Brett, 90 anos de idade, que assina uma coluna no The Plain Dealer, Cleveland, Ohio. 


“Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi.

Meu hodômetro passou dos 90 em agosto, portanto aqui vai a coluna mais uma vez:

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.

2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno.

3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.

4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.

5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.

6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.

7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.

8. É bom ficar bravo com Deus. Ele pode suportar isso.

9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.

10. Quanto a chocolate…É inútil resistir.

11. Faça as pazes com seu passado…Assim ele não atrapalha o presente.

12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.

13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.

14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo…Você não deveria entrar nele.

15. Tudo pode mudar num piscar de olhos Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.

16. Respire fundo. Isso acalma a mente.

17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.

18. Qualquer coisa que não o matar, o tornará realmente mais forte.

19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.

20. Quando se trata do que você ama na vida…Não aceite um não como resposta.

21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.

22. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.

23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.

24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.

25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você..

26. Enquadre todos os assim chamados “desastres” com estas palavras ‘Em cinco anos, isto importará?’

27. Sempre escolha a vida.

28. Perdoe tudo de todo mundo.

29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.

30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo..

31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.

32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.

33. Acredite em milagres.

34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.

35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.

36. Envelhecer ganha da alternativa — morrer jovem.

37. Suas crianças têm apenas uma infância.

38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.

39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.

40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.

41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.

42. O melhor ainda está por vir.

43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.

44. Produza!

45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente"

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

"Carpe Diem" você também!




"Carpe Diem" é uma expressão que significa "colha o dia". Ela foi extraída de versos latinos do poeta Horácio, nas suas Odes, I, 11, 8 “A Leuconoe”. Ela resume o poema no qual Horácio busca persuadir Leuconoe a aproveitar o momento presente e dele retirar todas as suas alegrias, sem se inquietar nem com o dia nem com a hora de sua morte:

Tu não indagues (é ímpio saber) qual o fim que a mim e a ti os deuses tenham dado, Leuconoe, nem recorras aos números babilônicos. Tão melhor é suportar o que será! Quer Júpiter te haja concedido muitos invernos, quer seja o último o que agora debilita o mar Tirreno nas rochas contrapostas, que sejas sábia, coes os vinhos e, no espaço
breve, cortes a longa esperança. Enquanto estamos falando, terá fugido o tempo invejoso; colhe o dia, quanto menos confiada no de amanhã.

O poeta Rubem Alves usa a expressão de uma forma brilhante: "Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente". 

Eu aprendi a viver e aproveitar o presente. Aquariana com ascendente em Aquário, não consigo tirar o olho do futuro, mas me treinei para não me tornar escrava dele. O futuro é algo me espera. Sou eu quem traço esse tempo para mim.  Acho que John Lennon tinha razão quando disse que a vida é aquilo que acontece enquanto você está planejando o futuro. Simples: o futuro é algo que vai chegar, se der tempo. E o único compromisso dele é com as agendas, mas o problema é que ele nem sempre cumpre e vira e mexe as coitadas ficam paradas nas esquinas, esperando.... esperando....

Felicidade é um estado de espírito ligado ao presente. Não podemos ser felizes no passado, porque o passado já foi, é apenas uma lembrança. Muito menos podemos ser felizes no futuro, porque o futuro é apenas uma promessa. Assim, felicidade é algo que acontece em um tempo presente - ou seja, agora!
Por isso, eu aprendi a aproveitar o presente. Carpe diem você também!

E pra finalizar, um pensamento que guardei em minha memória:
“Viva completamente cada momento presente e o futuro tomará conta de si mesmo. Viva intensamente o maravilhoso, o belo de cada instante. Pratique a presença da paz. Quanto mais você fizer isso, mais sentirá a presença desse poder em sua vida.” Paramahansa Yogananda

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A gente se acostuma, mas não devia. O certo seria buscar a amplidão

Lembro-me de um texto da Marina Colasanti que começa assim:

"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão".


Esse texto me veio logo à cabeça outro dia, quando constatei desapontada que o Google não é mais aquele. Tornou-se mais um mercenário na nossa longa lista de "traidores" rsrsrs. Explico: já reparou que quando você vai pesquisar algo no Google em busca de conteúdo, precisa passar por uma longa lista de sites que vendem o tal "produto ou serviço" relacionado àquela palavra que buscou? Só mesmo depois de passar por um monte deles é que você encontra algo realmente com conteúdo.
Pois é. E recentemente, ao receber o contato de uma "Consultora do Google" para vender anúncios para minha empresa (links patrocinados é o nome que eles utilizam) fiquei sabendo que a relevância no Google está diretamente relacionada ao valor ($) do seu clique, ou seja, quanto mais $ você investir em seus cliques, melhor posicionamento terá. 

E então eu perguntei: mas e os links que aparecem na pesquisa "não paga"? Aqueles que eram realmente relevantes antes do Google se tornar mercenário? Bom, me disse ela, o Google coloca em relevância os links que recebem mais cliques, se a sra. investir bastante, o seu site irá ter muitas "impressões" e estará sempre com mais chance de ser clicado, logo ele estará na frente de outros mesmo nos links não pagos!
E eu: mesmo que meu site não tenha conteúdo, só venda coisas? Sim, foi a resposta.

Não satisfeita, lá fui eu testar a afirmativa. E não é que confere? 
Mudei a pesquisa para o site da Yahoo/Cadê (http://cade.search.yahoo.com/) e para o Bing (http://br.bing.com) e, de fato, encontrei outras sugestões de pesquisa, muito mais adequadas ao conteúdo que estava procurando.

Bom, se antes eu só usava o Google, agora comecei a refinar minha pesquisa usando os dois outros mecanismos citados. Afinal, a gente se acostuma, mas não deve. O certo é buscar a amplidão!



Alguém pode enxergar apenas uma imagem na figura acima. Outras pessoas
podem ver várias.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Tamanho é documento...

Antes de começar, uma observação: na emoção de lançar o Blog, não observei que era necessário liberar os comentários. Resultado: muita gente que desejava postar um comentário não conseguiu. Mas agora está ok. Quem quiser comentar aqui no blog será bem-vindo: está tudo liberado!

Tamanho é documento...


Li há algumas semanas que o prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg, quer proibir a venda de refrigerantes “tamanho família” e bebidas açucaradas, com objetivo de combater a obesidade.
A venda de garrafas ou copos de refrigerante de mais de 0,48 litro será proibida em todos os restaurantes e lanchonetes de Nova York. A medida do prefeito apóia-se em pesquisas divulgadas, mostrando que mais da metade dos nova-iorquinos adultos são obesos.
A nova legislação da prefeitura de NY, que deve entrar em vigor em março de 2013, provocou um alvoroço entre os especialistas em saúde e, é claro, a revolta dos fabricantes de bebidas nos EUA.
Só que três novos estudos publicados agora em setembro estão colocando mais lenha na fogueira: eles reforçam o vínculo entre o consumo de refrigerantes e bebidas de frutas açucaradas e a epidemia de obesidade nos Estados Unidos.
O consumo mais que dobrou desde os anos 1970 e o mesmo aconteceu com a taxa de obesidade - que afeta atualmente 30% dos americanos adultos.  O primeiro estudo, feito com mais de 33.000 americanos, homens e mulheres, indica que consumir estas bebidas açucaradas agiria nos genes, afetando o peso e ampliando a pré-disposição genética de uma pessoa a engordar.
A Coca-Cola foi uma das primeiras a espernear contra a medida do prefeito. Num comunicado a empresa mandou esta: “Os nova-iorquinos esperam e merecem melhor do que isso. Eles podem fazer suas próprias escolhas sobre as bebidas que compram. Esperamos que os nova-iorquinos manifestem a sua desaprovação sobre esta lei arbitrária”. 
Esse assunto  me fez lembrar de uma discussão que sempre aparecia nas aulas de Marketing da faculdade. O curso era “Comunicação Social”, com dois anos básicos e depois a separação dos alunos nas opções entre Jornalismo, Publicidade e Propaganda ou Relações Públicas. As aulas de Marketing do básico eram verdadeiras batalhas ideológicas, com a turma do Jornalismo criticando o pessoal de PP e vice-versa. Uma das discussões girava em torno da estratégia de marketing usada no lançamento de embalagens cada vez maiores: com a desculpa de ser mais “econômica”, a medida teria a finalidade de estimular o consumo exagerado (e, quem sabe, o desperdício...).
Bom, não dá prá negar que realmente o aumento da circunferência abdominal parece ter acompanhado o crescimento das embalagens nas últimas décadas, não é? Algumas embalagens são tão avantajadas que mal cabem na porta da geladeira. Mas isso é um problema simples de resolver: aumenta-se a geladeira!

Esse anúncio acima é de 1963. Uma Coca-Cola era GRANDE porque rendia 2 copos! Agora a Coca-Cola GRANDE tem 3 litros!!!!
Essa Coca-Cola 3 litros foi lançada para atender momentos festivos como Natal, aniversários, etc. Mas na década de 60 era assim que se recebiam os convidados:



 E as geladeiras que deixaram de ser "elefantes brancos"....

voltam agora com força total:
Lançamento da Brastemp - 2012

Nota: Agradecimento especial ao sr. Salvador Blanco, que me doou sua coleção de revistas antigas. Valeu seu Salvador!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Para começar....

Quem me conhece sabe que já há alguns bons anos, tenho falado de flores. Como jornalista especializada na área de flores e plantas, tenho escrito sobre elas em jornais, revistas e, principalmente, no meu site - o www.jardimdeflores.com.br . E isso tem sido um enorme prazer! Faço isso com a maior dedicação do mundo e só tenho tido bons resultados.
Mas às vezes me dá vontade de escrever sobre outros assuntos também. E essa vontade tem ficado ali quietinha, esperando a hora de se revelar em letras. E agora o momento chegou, na forma deste blog, com o sugestivo nome: "Pra não dizer que eu só falei de flores". E escolhi um texto do qual eu gosto muito, do Veríssimo, para ilustrar e demonstrar como está sendo esse momento. 
Mas chega de introdução! Vamos à arte da palavra - mestra em transformar sentimentos em letras!

Quase

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata, trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. 

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. 
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. 

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. 

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. 
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. 

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência. Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. 

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. 
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. 
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu. (Luis Fernando Veríssimo)